Hebreus
9.1-4 “Ora, também a
primeira tinha ordenanças de culto divino, e um santuário terrestre. Porque um
tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candelabro, e a mesa,
e os pães da proposição; ao que se chama o santuário. Mas depois do segundo véu
estava o tabernáculo que se chama o santo dos santos. Que tinha o incensário de
ouro, e a arca da aliança, coberta de ouro toda em redor; em que estava um vaso
de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as
tábuas da aliança;”
Deus
ordenou a Moisés que fizesse um tabernáculo no deserto. Aquela foi a primeira
representação terrena do que poderíamos chamar de "casa de Deus". Ali
seriam realizados os cultos ao Senhor. Era no tabernáculo que se faziam os
sacrifícios e as orações sacerdotais. No seu interior estava, entre diversos
utensílios, a Arca da Aliança, que era um móvel de madeira, revestido com ouro
puro. Sobre ela estava o propiciatório, uma espécie de tampa em forma de coroa,
também de ouro. Sobre essa peça havia dois querubins de ouro batido, colocados
um de frente para o outro e com suas asas estendidas sobre a arca. Dentro dela
foram colocados: um vaso com maná, as tábuas da lei e a vara florescida de
Aarão.
Enquanto
que nos templos pagãos havia imagens dos falsos deuses, no tabernáculo
israelita havia a arca, que representava a presença de Deus.
Hoje,
não existe mais um tabernáculo no deserto, nem um templo de pedras onde Deus
possa habitar. O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios, dizendo que os cristãos
são tabernáculos e templos do Senhor. (1Co 3.16 e 2Co 5.1-4). Todas as pessoas
são, potencialmente, tabernáculos de Deus. Mas muitas são tabernáculos vazios,
pois não possuem a arca, não possuem a presença de Deus em seus corações. O que
seria do tabernáculo de Moisés no deserto sem a arca da aliança? Talvez pudesse
ser confundido com um circo ou com uma tenda qualquer. É a arca que faz a
diferença. É a presença de Deus em nós que justifica nossa existência e dá
sentido à nossa vida.
Os
objetos colocados no interior da arca nos fazem refletir sobre o que deve haver
no nosso interior:
O maná - Este foi o alimento
que Deus enviou para o povo no deserto, ao qual chamavam de "pão do
céu". No evangelho de João, capítulo 6, o próprio Jesus se compara ao
maná, dizendo: "Eu sou o pão que desceu do céu." Para que a presença
de Deus possa estar na vida de qualquer pessoa, o primeiro passo é receber o
Senhor Jesus como Salvador. Não existe outra maneira de se estabelecer a
aliança com Deus. Não há nada que alguém possa fazer para se aproximar de Deus,
a não ser por meio de Jesus Cristo. Assim como o maná sustentou o povo no
deserto, Jesus é o sustento para as nossas almas. Só nele a alma humana
encontra sua plena satisfação.
A lei - As tábuas da lei
foram colocadas dentro da arca porque os mandamentos constituíam o regulamento
da aliança de Deus com Israel. A lei é a Palavra de Deus. Se já recebemos a
Cristo em nossos corações, nossa próxima providência deve ser a busca do
conhecimento da Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Como escreveu Paulo: "A
Palavra de Cristo habite abundantemente em vossos corações". (Col. 3.16).
A vara de Aarão -
Essa vara era um pedaço de pau, galho da amendoeira, usado, provavelmente, para
conduzir o rebanho. Quando Deus quis dar um sinal ao povo, fez com que a vara
de Aarão, aquela madeira seca e velha, produzisse brotos, flores e frutos. Isso
é extraordinário! Qual o significado da vara de Aarão para nós? Poder de Deus,
ação do Espírito Santo, de maneira que o impossível acontece e maravilhas se
realizam. É o poder da ressurreição. Aleluia! O sinal da vara de Aarão nos
mostra a ação de Deus quando já se pensa que é tarde demais. Se já recebemos o
Senhor Jesus e já temos adquirido o conhecimento da Palavra de Deus, busquemos
ainda o batismo e o enchimento do Espírito Santo. Dessa forma, nossa vida
cristã não se resumirá em fé e palavras, mas em manifestação do poder de Deus.
Notamos
então que esses elementos contidos na arca da aliança nos mostram o que é
necessário para que tenhamos a presença de Deus em nós e para que essa presença
atue em plenitude nas nossas vidas, de maneira que nossa existência floresça e
dê fruto.
Tudo
isso estava dentro da arca. São experiências, conhecimentos e compromissos
interiores. É a presença do Deus invisível no recôndito do nosso espírito. A
vida cristã é, antes de tudo, algo interior. É como a vida que se encontra
escondida dentro de uma semente. A princípio, pode não ser valorizada nem
reconhecida. O cristianismo não se firma sobre aparências exteriores. Suas
bases estão profundamente arraigadas no âmago das nossas almas. Contudo, sua
essência não ficará restrita aos limites íntimos de cada um. A presença de
Deus, embora espiritual e invisível, transcende os limiares do coração, e se
manifesta nos frutos do Espírito no nosso modo de viver. A semente se rompe e a
vida se revela, uma vez que não pode ser contida.
Que
tenhamos em nós toda a plenitude de Deus. Que sejamos santuários cheios da
glória celestial. Sendo assim, o poder de Deus se manifestará e todos saberão
que o Deus verdadeiro habita no meio do seu povo. Amém.
Escrito por Pastor Álvaro Neto

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