domingo, 8 de abril de 2012

Igreja Perseguida - Ore pelos cristãos do Sudão


Por Mário Freitas - Fonte Lagoinha.com e  Mais no Mundo
Mário Freitas é presidente da MAIS – Missão em Apoio à Igreja Sofredora – que trabalha apoiando a igreja global.

A Perseguição no Sudão




Nos últimos meses o mundo tem falado e ouvido falar do Sudão. Com o surgimento do filme REDENÇÃO, estrelado por Gerard Butler, narrando a história do pastor americano Sam Childers, que trabalhou lutando contra as tropas de Joseph Kony no extremo sul do Sudão e no Norte de Uganda, o tema tomou novas proporcões. Em seguida, o movimento INVISIBLE CHILDREN lançou na internet, também por meio de vídeo, a campanha #StopKony, que dominou as redes sociais e também enalteceu o tema. Estrelas como George Clooney usam de sua influência para despertar o mundo a conhecer a dor dos sudaneses. É indiscutivelmente nobre, pois centenas de milhares de mortes passam a ser do conhecimento geral do ocidente, e novas mortes passam a poder ser evitadas.
Desde ontem, 3 de abril, estou no Sudão. Nossa organização tem trabalhado apoiando a igreja cristã do Sudão, principalmente após a emancipação do Sudão do Sul, ocorrida em 9 de julho de 2011. Na ocasião, eu também estava aqui. Lembro-me que a tensão foi geral quando o presidente Al Bashir declarou que, com o surgimento do novo Estado, os cristãos deveriam migrar para o sul, pois o Sudão tornar-se-ia um país de “uma só língua, uma só cultura e uma só religião”. Por isso, diferindo da tendência geral do mundo nesse momento, nosso coração firmou-se em auxiliar cristãos do extremo norte. Regiões como Nuba e Darfour pertencem ao norte, e ainda fazem parte do Sudão original. E mesmo na capital Khartoum, as coisas não andam fáceis para a igreja cristã.
Sudão - sudanesas
Agora, a tensão se fortaleceu, pois há poucos dias o presidente determinou um prazo para que a referida migração coletiva aconteça: até 8 de abril. Pastores sudaneses tentam encontrar a linha emocional correta entre a fé e o desespero. Na verdade, ninguém sabe como serão os próximos dias. Não sabem se os filhos poderão seguir normalmente na escola. Não sabem se as esposas estarão em segurança nas ruas e nos mercados. Não sabem como e onde estarão os irmãos de fé.

Alguém chegou a questionar por que eles não iriam para o Sudão do Sul, se lá gozariam de maior segurança. As razões são três. Primeiro, todo processo migratório coletivo é extremamente difícil. Os preços no sul aumentaram absurdamente, após a emancipação do país. Há muitos estrangeiros, funcionários de organizações humanitárias, diplomatas e negociantes, o que também inflaciona. Se todos vão para o mesmo lugar, é natural que se gere concorrência naquele destino.
Segundo, a questão do vínculo afetivo é importante. Muitos cristãos pertencem etnicamente ao Sul, por serem filhos de tribos daquela região, mas nasceram e cresceram no norte. Têm uma vida aqui em Khartoum. É aqui que seus sonhos foram gestados, aqui estudaram, aqui conheceram seus cônjuges. Não querem sair de casa porque estão em casa.
Por último, o motivo que poucos entendem: há toda uma questão étnica em jogo. Muitos cristãos do norte são árabes – não são originários de raças tribais negras, do sul do Sudão. Eles são ex-muçulmanos convertidos ao cristianismo, o que constitui, por si só, um crime mortal. Esses irmãos não podem se identificar no norte, mas não teriam espaço no sul, pois são naturais do norte, do país que tem sido historicamente o opressor.
Conversando com pastores sudaneses ontem à noite, enquanto jantávamos, perguntei sobre o prazo de 8 de abril. É dia de páscoa.
“Essa páscoa será diferente, pois 8 de abril os cristãos serão forçados a deixar o país. Mas na Bíblia, páscoa é libertação. Nós vamos ficar. Só Cristo pode nos tirar daqui” – declarou I.O.
Nessa páscoa, lembre-se do Gólgota, do sacrifício, e do evangelho que, à semelhança das nossas raízes, alguns ainda têm vivido. É tenso o clima, mas a igreja sofredora segue triunfante. Nas palavras do meu mestre Osmar Ludovico, “na cruz se morre, mas em pé e olhando para a frente”. Deus esteja.
#FreeSudan

A Páscoa - Desvendando o Original


“Chamou, pois, Moisés todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Ide e tomai-vos cordeiros segundo as vossas famílias, e imolai a páscoa”. (Êxodo 12.21)



A Páscoa é a mais famosa das festas judaicas, e também uma das mais importantes do calendário cristão. É evidente que a celebração judaica sofreu transformações ao longo do tempo, e a festa cristã em muito se distingue de sua versão judaica. Analisando texto hebraico, faremos uma viagem pela cultura e pela língua por meio da qual este evento foi instituído e perpetuado.
A palavra hebraica para páscoa é “pesach”, que significa “isenção”. Esse termo traz à memória, por exemplo, a “isenção fiscal”, quando uma pessoa é liberada de pagar um tributo. Em Romanos 6.23 lemos que “o salário do pecado é a morte”, ou seja, todos que pecaram deveriam morrer. Assim, os judeus que se encontravam no Egito também eram réus de morte e alvos do ataque do anjo da morte. Todavia, o mesmo versículo 23 de Romanos 6 nos dá esperança: “Mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor”. João Batista, ao ver Jesus, anunciou que este era o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29). Aqueles que no Egito tomaram posse do sangue do cordeiro de Deus tornaram-se “isentos” de pagar o preço do pecado com a morte de seus filhos primogênitos.
A palavra “pesach” vem de “pasach”, que significa “pular”, ou “passar por cima”, que é a tradução literal da palavra inglesa para páscoa, “passover”. O anjo da morte “passou adiante” das casas cujos umbrais das portas foram sinalizados com o sangue do cordeiro. Esse é o mesmo livramento que nos foi concedido por Cristo, que nos livrou da morte e nos deu vida, e vida em abundância (João 10.10).
O interessante é que a palavra “pesach” está diretamente relacionada com a palavra “pisseach”, que significa “manco” ou “coxo”, pois remete à pessoa que “puxa” ou “pula” uma perna. Dessa maneira, quando lemos em Êxodo 12.21 que o povo deveria “imolar a páscoa”, podemos traduzir como “imolar o coxo”. Nesse momento, nos lembramos de um personagem muito especial da Bíblia: Jacó. Quando retornava para sua terra natal, Jacó foi surpreendido por um anjo que lutou com ele. Em Gênesis 32.25, lemos que, quando o anjo viu que não prevalecia contra Jacó, este “tocou-lhe a juntura da coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, enquanto lutava com ele”. Desde aquele dia, Jacó (agora Israel), passou a mancar de uma perna, tornando-se coxo. Dessa maneira, “imolar o coxo” pode ser interpretado como “imolar Jacó”, “sacrificar Jacó”. Mas o cordeiro sacarificado na páscoa deveria ser perfeito, sem mancha nem mácula.
Como seria sacrificar o coxo?
Nesse momento temos uma mudança radical de perspectiva, pois no Antigo Testamento o coxo era uma pessoa amaldiçoada e rejeitada, e nenhum animal coxo poderia ser sacrificado a Deus e nenhum coxo poderia entrar na presença de Deus. Em Levítico 21.18, por exemplo, lemos que “nenhum homem que tiver algum defeito se chegará: como homem cego, ou coxo (pisseach), ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente compridos”.
Em Deuteronômio 15.21, lemos que se o animal a ser sacrificado tivesse algum defeito, sendo coxo (pisseach), cego ou tivesse qualquer outra deformidade, este não deveria ser entregue ao Senhor. O profeta Malaquias, por sua vez, anuncia a indignação de Deus com algumas pessoas que estavam sacrificando animais coxos, o que era inaceitável (Malaquias 1.13). Na páscoa, nenhum animal coxo ou manco poderia ser entregue a Deus.
Concluímos, portanto, que Jacó deveria ser rejeitado? Sim, o velho homem Jacó, o enganador e usurpador, deve ser deixado para trás. Jacó parece ter dado ouvido a um ensinamento divino: “Se, pois, a tua mão ou o teu pé te fizer tropeçar, corta-o, lança-o de ti; melhor te é entrar na vida aleijado, ou coxo, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno” (Mateus 18.8). Jacó foi feito coxo, pois era a sua perna que o fazia tropeçar (Jacó significa “calcanhar” ou “enganador”). Ele lançou fora aquilo que o fazia tropeçar e entrou na vida. Ele abdicou de sua desenvoltura, de sua destreza no andar e no correr, mas alcançou a aprovação de Deus.
A fim de tomar posse do sacrifício do Cordeiro da Páscoa que nos livra da morte, devemos, assim como fez Jacó, abandonar o “velho homem” e assumir uma nova postura perante o Senhor. Nesse momento, Deus irá dar nova vida ao coxo, pois ele mesmo prometeu: “Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.” (Isaías 35.6). Ou como lemos em Hebreus 12.13: “E fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que é manco não se desvie, antes seja curado”. Jesus é nossa páscoa (1 Coríntios 5.7), nosso livramento da morte, poderoso para curar o coxo e levantar o caído.
Jacó foi curado no momento de sua luta com o anjo. Ele reconheceu sua condição pecadora e se humilhou na presença de Deus. Jacó, que nasceu segurando o calcanhar de seu irmão, e posteriormente usurpou a bênção que pertencia a Esaú, e tentou sempre “enganar”, ou seja, “puxar a perna” dos outros, tem agora a sua perna puxada e danifica por uma ação divina. Isso o “esvaziou” de toda vaidade e o deixou preparado para receber a cura.
É interessante observar que a luta de Jacó com o anjo ocorreu no “vau de Jaboque” (Gênesis 32.22). A palavra “Jaboque” é, em hebraico, “yabboq”, que significa “brotar”. Naquele local, a causa das desventuras de Jacó brotou, tornou-se manifesta, o que facilitou sua libertação desse mal. Lá, Jacó teve seu pecado perdoado, assumiu o sacrifício do cordeiro pascal e foi liberto da morte, já que seu irmão Esaú intentava matá-lo.
Além disso, cabe observar que a palavra “yabboq” vem de “baqaq”, que significa “luta” ou “vazio”. Ou seja, nesse momento de luta, Jacó esvaziou-se de toda sua vaidade e arrogância, e assumiu forma de servo, permitindo que Deus nele fizesse morada, como na passagem de Filipenses 2.5-8, que diz: “Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.” Ao esvaziar-se na luta, Jacó jogou fora o velho homem e entregou a Deus uma nova vida, agora imaculada como o cordeiro da Páscoa.
Por fim, voltamos ao versículo de Êxodo 12.21, quando Moisés afirma que cada família deveria “imolar a páscoa”. A palavra “imolar” é, em hebraico, “shachat”, cuja raiz “shach” significa “jogar no poço”. Um dos filhos de Jacó, José, foi jogado no poço por seus próprios irmãos. Ele foi lançado à morte pelos seus próprios parentes. Mas aprouve a Deus livrá-lo da morte, assim como aconteceu com nosso Senhor, nosso Cordeiro, que foi entregue à morte, mas trazido de volta à vida pelo poder de Deus.
Todo aquele que invocar o sangue do Cordeiro da Páscoa, poderoso para tirar o pecado do mundo, será livre da morte assim como o foram aqueles que, no Egito, obedeceram à ordem divina e tomaram posse da salvação pelo sangue do Cordeiro.
Escrito por Daniel Lopez
Fonte Lagoinha.com